
Em constante mudança e aprendizado, fanática por praia, sol, verão e derivados, apreciadora de uma boa música, como as de Chico Buarque. Tem aversão a coisas clichês, como falsidade, mentira e falta de palavra, e a outras coisas, que poderão ser encontradas ao longo do blog, assim como o final do meu perfil.
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Segunda-feira, Junho 14, 2004
Terça-feira, Abril 13, 2004
Hoje vou falar sobre minha querida tia de 84 anos, cuja força, raça, resistência, independência e persistência me deixam perplexa e ao mesmo tempo orgulhosa por fazer parte dessa linhagem.
"Essa mulher nasceu prá sofrer", é o que todos dizem. Mas ela não desanima, não entrega os pontos, não se dá de coitada. Resumindo, ela perdeu uma perna há uns dois anos (erro médico), vive sozinha (cuida do filho esquizofrênico de 58 anos nos finais de semana), e é completamente independente, ativa e auto-suficiente.
Porém, diante de alguns acidentes de percurso (que não vem ao caso agora) eu fui dormir com ela a noite passada para dar uma força. E claro, uma mulher que mora sozinha há tanto tempo tem suas manias, rituais e crendices. E é claro também que eu não fico atrás, afinal de contas, também morei sozinha (pós separação do meu primeiro casamento) por mais de 10 anos e sabe como é: depois que você se convence que consegue fazer tudo sozinha...dividir, pedir, perguntar, tornam-se tarefas um tanto difíceis.
Então, lá fui eu, antes de dormir, fazer uma certa "vistoria" no recinto. E não é que ele estava lá? O maldito relógio tiquetaqueando em alto e bom som! Cacete, pensei comigo, não vou conseguir dormir com essa porra (sim, sou neurótica também.). Vou ter que dar um jeito nisso: espero a titia dormir e sumo com o maldito relógio do quarto. Ledo engano: uma das manias da titia é dar corda no dito cujo antes de dormir. Detalhe: ela coloca-o no criado mudo, entre as duas camas. Sendo assim, vamos lá, remédios para titia (todos seguindo uma seqüência pré determinada por ela, claro), pomada, água na cabeceira da cama e, por último, seguindo o ritual, antes de apagar a luz, ela se apaga tomando um Lorax 2mg. E eu ali, quieta, dura, estranhando o colchão, o barulho (o quarto fica literalmente na rua, sabe aquela casinha meia água?), e a porra do relógio! Aquele barulho foi entrando no meu cansado cérebro e me hipnotizando, me absorvendo, me irritando de tal maneira que eu estava quase fazendo o movimento do som com a cabeça, sabe como? Pelamordedeus, não sei como uma pessoa consegue dormir daquele jeito. Ah, claro! Ela toma Lorax! Titia, titia... já dormiu? Dá um lorax aí. Foi o jeito que eu encontrei para conseguir a dádiva do sono, pois o tic tac já tinha virado tungátungátungá, tactictactic, e todos os outros sons que minha mente estressada conseguia ouvir. Enfim, dormimos "sedadamente" até 6 horas da manhã e felizmente ela não precisou dos meus préstimos (?)... espero!

Publicado às 4:17 PM.
Segunda-feira, Abril 12, 2004
"Aos 3 anos: ela olha prá si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: ela olha prá si mesma e vê uma cinderela.
Aos 15 anos: ela olha prá si mesma e vê uma freira horrorosa: Mãe, eu não posso ir prá escola desse jeito!!!
Aos 20 anos: ela olha prá si mesma e se vê "gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, muito liso/muito encaracolado", mas decide que vai sair assim mesmo...
Aos 30 anos: ela olha prá si mesma e vê "muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, muito liso/muito encaracolado", mas decide que agora não tem tempo prá consertar essas coisas; então vai sair assim mesmo...
Aos 40 anos: ela olha prá si mesma e vê "muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, muito liso/muito encaracolado", mas diz: "eu sou" e vai prá onde ela bem entender...
Aos 60 anos: ela olha prá si mesma e se lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo...
Aos 70 anos: ela olha prá si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida...
Aos 80 anos: ela não se incomoda mais em olhar prá si mesma. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo...
Talvez a gente devesse pegar aquele chapéu violeta mais cedo..."
... então resolvi pegar meu chapéu violeta e me divertir também no mundo virtual! Por que não? Tenho sede de mudanças, novidades, e sobretudo (nossa, essa eu herdei do Avilmar. E quem sabe ele mereça um post qualquer dia desses?) adoro a convivência com jovens, mentes curiosas, abertas, questionadoras, polêmicas... É como se eles me mantivessem sempre atenta, ligada, viva!
"...existe uma criança em mim que se recusa a morrer..." (Mutações - Liv Ulmann).
E como não consigo ser diferente (nem sei se eu quero ou devo), aqui vou eu, de cabeça em mais uma... e que seja intenso enquanto dure (plagiando Vinícius e homenageando Adele).
Até a próxima!
Publicado às 4:16 PM.